BAQUE MULHER FLORIANÓPOLIS em apoio à Greve Internacional de Mulheres e ao movimento 8MBrasilSC

MANIFESTO DO BAQUE MULHER FLORIANÓPOLIS EM APOIO À GREVE INTERNACIONAL DE MULHERES E AO MOVIMENTO 8MBRASILSC

Nós, do BAQUE MULHER FLORIANÓPOLIS, apoiamos a Greve Internacional de Mulheres e o movimento 8MBrasilSC, na luta contra a discriminação salarial; pela valorização da função social das mães; contra a reforma trabalhista do governo golpista; contra a emenda constitucional 95; pelos direitos das mulheres que sofrem no sistema carcerário; contra a escravização de trabalhadoras e trabalhadores; contra a violência machista; pelo direito à livre expressão da sexualidade/identidades de gênero; pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito; e contra a discriminação racial e o genocídio das populações negra e indígena!
O BAQUE MULHER FLORIANÓPOLIS surgiu em 2016, a partir do grupo de maracatu Baque Mulher de Recife/PE, este fundado em 2008 e idealizado por Mestra Joana Cavalcante, primeira mestra a reger uma nação, a Nação do Maracatu Encanto do Pina. O objetivo do Baque Mulher dentro das nações de Baque Virado é fortalecer a figura da mulher como protagonista, tendo como finalidade o desenvolvimento, a manutenção e a disseminação da cultura do maracatu entre mulheres. Seguindo os princípios do Movimento Nacional, promovemos o encontro de mulheres por meio do maracatu, a realização de rodas de diálogo e oficinas, e o estímulo ao acesso de todas as mulheres às nossas atividades.
Para além das pautas nacionais evocadas pelo 8M neste mês de março, nosso coletivo aponta que a Grande Florianópolis, assim como o estado de Santa Catarina, permanecem distantes de oferecer a proteção necessária e a garantia de direitos às mulheres. O 11º Anuário Brasileiro de Segurança Pública , divulgado em 2017, colocou o estado como primeiro colocado no ranking de tentativas de estupro no país em 2016. Neste mesmo ano, o estado totalizou 1220 ocorrências de violência contra a mulher, perdendo apenas para São Paulo. De acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública, a cada dez minutos uma mulher é vítima de violência no estado .
Ressaltamos que, por mais que estas estatísticas ilustrem o horror vivido pelas mulheres, os dados podem ser ainda piores, visto que esses levantamentos ainda ignoram aquelas que vivem à margem: mulheres trans como Jennifer Celia Henrique, assassinada a pauladas mesmo depois de ter registrado dois boletins de ocorrência relatando ameaças e tentativas de agressão. Mulheres negras e quilombolas como Gracinha, que teve suas filhas levadas violentamente de seu lar sob a alegação jurídica de que não tem condições de cuidar das crianças porque é “descendente de escravos”, e que a falta de cuidados que as crianças supostamente sofriam era fruto de “sua cultura”. Mulheres como as 14 gestantes e 5 lactantes apenadas, escondidas pelo sistema, cumprindo pena neste estado que só em 2018 inaugurou seu primeiro presídio feminino. Ou como a mulher negra e afrorreligiosa Estrelita de Jesus, impedida de tocar seu atabaque no centro da capital catarinense pela Polícia Militar – o mesmo centro que abriga um sem-número de casas religiosas cristãs, ecoando seus cânticos a céu aberto.
É por Jennifer, por Gracinha, pelas mulheres apenadas destituídas de seus nomes, por Estrelita e por todas que sofrem as violências do machismo, da LGBTfobia, do racismo e da intolerância religiosa, que o BAQUE MULHER estará presente nas atividades do 8M em Santa Catarina. É por elas que marcharemos no dia 08; é por elas que estaremos presentes no encerramentos das atividades, no dia 10 de março. É por todas as mulheres que o BAQUE MULHER FLORIANÓPOLIS continuará batendo seus tambores, encontrando-se todas as quintas, a partir das 19h, no Instituto Arco-Íris (Travessa Ratcliff, 56 – Centro). E são todas – TODAS as mulheres – convidadas a somar suas vozes conosco, potencializando umas às outras através do maracatu: contra a violência; contra o governo golpista (FORA TEMER!); na defesa dos direitos das mulheres; e no combate ao machismo, à LGBTfobia, ao preconceito religioso, ao racismo e a todas as formas de violência.

“Não há violência ou machismo qualquer
Que cale meu tambor,
Eu sou BAQUE MULHER!”

Florianópolis, 06 de março de 2018

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